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Você
que esta começando a ler estas páginas certamente encontrará
fatos que ao primeiro
contato serão familiares, com certeza dirá que já conhecia
mas não sabe de onde. Não trago coisas novas, somente
as coloco de um novo ponto de vista. Falamos de tempo e
espaço, não é novidade. Falamos de vidas passadas, e como se
fala nisso atualmente!! Abordo a beleza das almas gêmeas, muito
poético. E finalizo com Eternidade, a vida eterna como diz o
Francisco de Assis ao término de sua oração.
Escrevo sobre estas coisas tão faladas, mas de forma
diferente. Procure ler com atenção.
Um abraço.
Márcio
Pontes
Não
sejas o de hoje.
Não
suspires por ontens...
Não
queiras ser o de amanhã.
Faze-te
sem limites no tempo.
Vê
a tua vida em todas as origens.
Em
todas as existências.
Em
todas as mortes.
E
sabe que serás assim para sempre.
Não
queiras marcar a tua passagem.
Ela
prossegue:
É
a passagem que se continua.
É
a tua eternidade...
É
a eternidade.
És
tu.
(Cânticos -120
edição - Cecília Meireles)
No ano de 1987, precisamente no mês de março, era domingo
e eu acabava de almoçar na minha casa. De sobremesa comecei a
descascar uma laranja. Adoro laranja após o almoço, mas para
descasca-la é uma verdadeira luta de foice, digo de faca. Parece
que as facas e os instrumentos foram feitos para pessoas destras.
A minha laranja fica toda furada, cheia de feridas. Enfim levo um
tempo enorme para chegar a chupá-las. Haja paciência. Bem que é
um bom exercício de paciência. Principalmente para mim, que
tenho muito de exercitá-la.
No período em que estava descascando as laranjas
comecei a pensar no tempo que levava para descascá-las e no tempo
da minha infância. Comecei a fazer comparações do meu tempo
atual com o meu tempo de criança. O tempo que não tinha hoje e o
tempo que sobrava na infância. O meu pensamento foi para Minas
Gerais, na cidade de Nova Era, local onde passei a primeira parte
da minha vida, até aos 10 anos, depois vim morar no Rio de
Janeiro (ufa)
Lembro-me perfeitamente que acordava cedo, talvez 08:00
horas da manhã, tomava café com leite, pão e manteiga e ia
brincar com os irmãos ou com colegas na rua. Brincávamos
a manhã toda. Era muito tempo até a hora do almoço em torno de
11:00 horas. Após almoçar, dormíamos ou ficávamos ouvindo
no rádio as historinhas para crianças, pois não
tínhamos televisão, aliás, na cidade não havia televisão que
era coisa de cidade grande e para poucos privilegiados. Na parte
da tarde era a mesma coisa, brincávamos, fazíamos lanches,
tomávamos banho, passeávamos de tarde, ouvíamos novamente
rádio e em torno das 20 s. , após o jantar era hora de dormir.
Que dia longo. Estava cansado de tantas atividades e dormiria o
sono dos justos.
Voltando ao aqui e agora percebo que meu tempo de 24
horas/dia é muito pequeno, embora que cronologicamente seja o
mesmo.
Este sentimento de tempo, digo sentimento, pois ele é
sentido, não é medido. Pensei. Não é medido? Será que
poderemos medi-lo? É uma pergunta meio ingênua, mas era uma
pergunta que merecia ser questionada. Podemos ou não podemos
medir um sentimento? Eu acreditava que sim, embora não seja um matemático, mas sou um pensador, ou um sonhador.
Nos meus pensamentos recorria a minha infância.
Imaginei-me com 10 anos de idade e olhando para o meu passado. Era
tempo demais. Coloquei-me nos meus 20 anos de idade e olhei de 10
aos 20. Parecia menor que de 0 a 10. De 20 a 30 bem menor que 10 a
20 e infinitamente menor que 0 a 10. Dos 30 aos 40 voou. Hoje o
meu dia tem bem menos que 12 horas. É muito pequeno. O meu tempo
é menor. Passa mais rápido. Mas para medi-lo é preciso de
contas, equações, números. Aonde encontrá-los?
Quando trabalho com números ou número, visto que tudo
parte do número “1”, procuro fazer o encontro do
Mito e a Ciência. Desde a Antigüidade os povos tentam
entender o espaço , o tempo e o Universo através da religião.
Hoje busco pela ciência, ciência humana, interligando a ciência
da psicologia a ciência exata, a matemática. Um dos grandes
filósofo da humanidade que entendeu o fluir dos números no
comportamento foi Pitágoras, no século VI a.C.. Pitágoras é
conhecido pelo famoso teorema geométrico que afirma que o
quadrado da hipotenusa de um triângulo retângulo é igual a soma
dos quadrado dos catetos. Além de matemático, era um grande
místico, um músico que descobriu a física da escala harmônica,
e o primeiro a chamar a si mesmo de filósofo, ou “amante do
saber”. Pitágoras
buscou combinar a ciência e a metafísica, que talvez seja mais
bem exemplificada pela palavra Kosmos
, que significava ordem ou beleza, que identificava o universo. Os pitagóricos, seguidores de Pitágoras diziam
que na verdade o universo era uma harmonia de opostos em
equilíbrio, tal como homem
- mulher, par-impar, bem-mal. Os opostos primordiais eram o limite
e o ilimitado - o que tinha forma e o que se imaginava como caos.
Eles achavam que o limite agia sobre o ilimitado para formar o “Um
místico”, reverenciado como fonte de todos os
números. E para eles, os números eram tudo.
Comecei a pensar na vida. Perguntei-me se uma pessoa que
morresse com 5 anos de idade morreu com 1/5 de sua vida? A
resposta mais rápida que tive foi: Não, morreu com 5 anos de
idade, teve cinco anos de vida. Assim perguntei com 10 anos, 20
anos, 30 anos e por ai. A resposta é sempre a mesma. Morreu com
tantos anos de vida e não com parte dela (vida). Notei que a
vida, seja que tempo for era sempre inteira, una. Não tinha
frações e conseqüentemente, não tem múltiplos. É realmente
inteira, compacta. Este fato me lembra a unidade, o número “1”.
Parece que tinha encontrado o primeiro número da equação. Agora
teria que montar a primeira parte da equação. Sendo a vida,
inteira, compacta e infinita, pois a vida sempre irá existir
(temos que filosofar), dei o nome do primeiro módulo da equação
de KV (Constante de vida), sendo que KV= 1. Bem, agora tinha o
princípio da equação do tempo. E por falar em tempo o outro
módulo será o do tempo de vida. Como achá-lo?
Procurei seguir o mesmo raciocínio que tive em relação
à vida e nos mesmos parâmetros. Algo único, indivisível,
inteiro. Pensei no Ano. É múltiplo de meses. Mês, múltiplo de
dias. Dia. Um dia vem a ser a resposta, é a unidade de tempo
perfeita e natural. É a rotação completa da terra em torno de
si mesma. Não há frações, nem múltiplos. Ela é por si uma
medida única. Se é única, inteira, é também igual a “1”.
Então temos T=1.
A nossa equação começou a ganhar forma: kv/T ou 1/1=1.
Ficou 1 novamente. Que nome dar a este resultado?
RTS = Relação de tempo sentido
Procurei ver a validade desta
equação dentro da minha visão filosófica, do meu pensamento
naquela ocasião. Modulei a equação da seguinte forma:
Uma pessoa que tem 24 hs. de
vida tem o seguinte RTS.
KV=1/T=1:
RTS=1
Procurei correr os dias
consecutivos:
KV=1/T=2:
RTS=0,5;
1/3=0,333...
1/4=0,25
e assim por diante.
Observei que eram necessários
3 dias para se fazer a RTS do primeiro dia de vida, que segundo
estes cálculos é a maior
RTS de nossa vida, ou melhor é o maior dia sentido de nossa vida.
Após o primeiro dia se faz necessário 3 dias para compor o
primeiro dia. Realmente o nosso tempo sentido sofre uma queda logo
no segundo dia de 50%.
Procurei desenvolver um gráfico que mostrasse exatamente
este tempo sentido em relação aos anos de nossa vida. Observe
o resultado. A coluna horizontal é a idade cronológica e
a vertical são as RTS. Quando se chega na faixa de 12 anos de
idade começa uma estabilidade. Temos proporcionalmente mais vida
em RTS do nascimento aos 12 anos, do que para o resto de nossa
vida cronológica.
Gráfico de
RTS
Observe que a área escura
compreendida entre o nascimento e os 12 anos é maior que o
restante da área até o final do ciclo. Supõe-se que temos maior
tempo sentido do nascimento aos 12 anos de idade. Coincidentemente
os estudos de Freud,
o criador da Psicanálise, se baseiam em que os fundamentos de
nossa personalidade sejam estruturados durante a infância,
exatamente na faixa da pré-adolescência e que compreende a faixa
de maior RTS. Concluímos que este gráfico tem também a audácia
de medir um dado psicológico observável, sentido, mas nunca
equacionado. Matematizamos Freud. Os números dizem que sua
observação está correta. Cientificamente provado.
Se um indivíduo consegue sentir maior tempo em menor tempo
cronológico, o seu envelhecimento tende a ser maior e mais
rápido. Este fator ocorre também com o desenvolvimento humano
infantil. Podemos fazer a seguinte observação:
Imagine você selecionando no
ato do nascimento, 5 crianças
do mesmo sexo e cor. Procure guardar os nomes da 5 crianças.
Após 30 dias volte ao encontro destas crianças e procure
identificá-las. Terás muitas dificuldades, pois em 30 dias estas
crianças envelheceram muito. Não apresentam mais as fisionomias
básicas do nascimento. Identifique-as novamente e volte
daí a 1 ano e procure reconhecê-las. Novamente quase que
impossível, pois em 1 ano o envelhecimento foi muito acentuado em
relação ao primeiro mês de vida. Identifique-as e volte daí a
10 anos. Realmente nem com a foto na mão do primeiro ano de vida
você conseguirá identificar, pois o envelhecimento foi brutal.
Identifique-as e volte aos 15 anos. Você agora com facilidade
conseguirá identificar, pois o envelhecimento foi menor. E daí
para adiante o tempo é menor e o envelhecimento também, será
fácil identificar. Esta observação você já fez durante a sua
vida normal e você sabe que é correta. Mas se tiver dúvida
pratique-a com crianças recém nascidas de uma maternidade e
procure acompanhá-las no primeiro mês.
Um dos fatores importantes desta visão matemática do
desenvolvimento é a noção que passamos a ter do tempo de
percepção infantil. Como podemos observar no gráfico o tempo de
percepção, que vai do nascimento aos 12 anos de idade
cronológico é muito grande. Isto demonstra que o tempo que a
criança percebe (tem) é muito maior que o dos adultos. Colocando
este estudo da percepção na educação infantil poderemos
viabilizar uma melhor didática no ensino escolar e na educação
doméstica. A criança consegue em menor tempo cronológico
(adulto) absorver mais conhecimentos, pois o seu tempo de
percepção é maior. Trabalhando este lado, o tempo do mestre e
do aprendiz, conseguiremos
que a didática educacional seja mais bem direcionada e os
resultados mais positivos. A criança aprende mais em menos tempo
real. Comparar o mesmo tempo adulto para a criança faz com que
esta sinta um vazio em si mesmo e não consiga interligar o
aprendizado e se perca no aprendizado não direcionado das
informações doadas pelos meios de comunicação e da própria
sociedade.
Este mesmo cálculo permite ter a resposta intrigante que
os espiritualistas costumam
dizer, falando que só morremos quando termina o nosso “dever”
nesta reencarnação.
A incompreensão dos fatos leva pessoas a ficarem
revoltadas quando perdem um filho no primeiro dia de vida ou mesmo
na adolescência ou na idade madura. A nossa equação demonstra
que morrendo aos 5 anos de idade, 10 anos, 40 anos ou seja que
idade for, o quantum existencial é o mesmo, a equação do RTS
fica igual em qualquer faixa etária. Exemplo:
Para ficar um exemplo claro
vamos supor que:
Uma criança morra com 1 dia de
vida.
KV/T=RTS
: 1/1=1
Uma pessoa adulta morra com
10.000 dias de vida.
KV/T=RTS:
1/10.000=0,0001
Eu vos digo que as 2 equações
são idênticas pois :
T
RTS = KV
Na criança: 1 x 1 = 1
No adulto: 10.000 x 0,0001 = 1
Esta é uma igualdade
matemática. Na vida também somos assim, quem morre com 40 anos
não fez mais do que quem morreu com 5 anos de idade em relação
ao tempo
sentido, que para eles foram iguais.
Deduzimos então que não existe morte precoce, morremos no
instante certo, não importando a faixa etária.
No campo da psicologia clínica, podemos usar este
conhecimento para demonstrar para os pacientes como funciona o
processo de ansiedade, pois tem
muito haver com fator
tempo, principalmente “tempo futuro”, aquele
tempo que falta para algum tipo de acontecimento. Na
verdade não falta tempo algum. Se 5 anos de idade é equivalente
a qualquer idade. Qualquer tempo é o “aqui e agora”. O
amanhã é hoje. Se hoje é passado de amanhã e futuro de ontem,
ontem é hoje. Presente, passado e futuro num mesmo ponto. Adeus
ansiedade. Vamos relaxar, sem pressa, porque temos todo o tempo do
Universo.
Este pensamento Psicofísico nos leva mais longe. Podemos
pensar (filosofar) nos níveis científicos religiosos da
reencarnação, do nascer novamente.
Se passado, presente e futuro coexistem num
mesmo instante, então podemos pensar que nossas vidas
passadas ainda estão vivas, ainda existem de alguma forma
fisicamente. Nós somos o futuro de um passado que ainda existe.
Podemos deduzir que agora, no instante que você lê esta página,
sois passado de um futuro que também já existe. Estamos vivos,
mas ao mesmo tempo estamos reencarnados no futuro, ou nos futuros.
Traçando esta linha de pensamento podemos compreender com
mais segurança as leis reencarnatórias.
Nas vivências espíritas de longos anos e nas literaturas,
encontramos casos de manifestações de espíritos que nos relatam
que ainda encontram-se presos e vivendo as mesmas experiências
passadas ou do passado. Certa vez assisti a uma manifestação de
efeitos físicos (psicokinese) no qual a entidade estava ainda
presa ao passado (vivendo nele) como escravo num canavial.
Chegamos a ouvir o som das correntes e gritos de dores que
emanavam do ambiente passado. Este fato ocorreu durante uma
sessão de TVP (Terapia de Vidas Passadas).
Conforme relatamos parece que o passado é
tão real como o presente, encontra-se diferenciado em
vibrações, num outro campo vibratório, mas sintonizáveis.
Nesta visão poderemos também alcançar o futuro, também
sintonizável. O nosso futuro que já existe. Nós já
desencarnamos e reencarnamos. Tudo é questão de sintonia.
Existem relatos históricos de pessoas que vivenciaram
o passado, estando no futuro, isto é, no presente. Um
destes casos retirei do livro
“Tempo e Espaço”, da coleção Mistério do Desconhecido dos
editores Time-Life Livros, da Abril Livros - Rio de Janeiro, que
assim relata:
Pouco antes das nove da manhã do dia
03 de Outubro de 1963 a senhora Coleen Buterbaugh,
secretária de uma faculdade em Lincoln, no estado americano de
Nebraska, passou por uma porta de escritório que atravessava
todos os dias e mergulhou no que lhe pareceu um pavoroso
deslocamento temporal. Mais tarde ela contou que estava levando um
recado para um professor do outro lado do campus da Nebraskan
Wesleyan University, quando o estranho evento ocorreu. Tratava-se
de uma caminhada que ela fizera centenas de vezes, passando pela
Willard House, recentemente terminada,e por diversos outros pontos
familiares do campus, até chegar a seu destino, o velho prédio
C.C. White.
Ao chegar, ela entrou pela frente e atravessou um grande
vestíbulo que levava a um conjunto de escritórios
na parte de trás. Enquanto caminhava, a senhora Coleen
ouvia os ruídos conhecidos dos estudantes a caminho das salas de
aula e trechos de música vindos das salas reservadas à prática
musical. Ela prestou atenção particularmente a um som de
marimba.
Ao entrar no escritório onde esperava encontrar o
professor que estava procurando, Coleen foi subitamente assaltada
por um cheiro almiscarado. “Quando
entrei na sala, tudo estava completamente normal” , lembrou-se ela. “Só
depois de uns quatro passos para dentro senti o cheiro. Quando
digo que era forte, quero dizer que era do tipo que faz a gente
parar, quase sufoca. Eu estava olhando para o chão, como a gente
faz às vezes ao andar, e assim que o cheiro me deteve senti que
havia mais alguém comigo na sala”
Erguendo a cabeça, Coleen viu a figura de uma mulher
desconhecida esforçando-se pra alcançar as prateleiras mais
altas de um velho armário de partituras. Embora a figura
estivesse de costas, Coleen pôde ver que a mulher era muito alta
e magra, e que os cabelos negros estavam penteados para o alto, em
um antiquado estilo bufante. Suas roupas, inclusive um longo
vestido acinturado, também pareciam de trinta anos antes. Nesse
momento, Collen deu-se conta de que já não estava ouvindo os
ruídos familiares no vestíbulo. Não havia mais a marimba
tocando. Tudo à volta dela ficara mortalmente quieto, como se o
resto do mundo houvesse desaparecido. Naquele silêncio, ela ficou
transfixada pela figura diante dela.
“Ela não chegou a se mover”, contou Coleen. “Estava de
costas para mim, tentando alcançar uma prateleira do armário com
a mão direita, mas mantinha-se perfeitamente imóvel. Não era
transparente e contudo eu soube que não era real. Enquanto eu
estava olhando, ela simplesmente desapareceu - não uma parte
do corpo de cada vez, mas o corpo inteiro de uma só vez.”
O estranho encontro não terminou com o desaparecimento da
figura. “Até o
momento em que ela desapareceu, não percebi mais ninguém na sala”,
continuou Coleen. “Porém,
mais ou menos na mesma hora em que ela sumiu, senti como se ainda
não estivesse sozinha. À minha esquerda havia uma escrivaninha e
tive a sensação de que um homem estava sentado junto a ela,
virei-me e não vi ninguém, mas continuei sentindo a presença
dele. Não percebi quando a sensação dessa presença me deixou,
pois nessa hora olhei pela janela por trás da escrivaninha,
assustei-me e sai da sala. Naquele instante, quando olhei por
aquela janela, não havia uma única coisa moderna lá fora. A
rua, que está a menos de meia quadra do prédio, nem estava lá,
como também não estava a nova Willard House. Aí eu reparei que
aquelas pessoas não estavam no meu tempo; eu é que havia ido
para o tempo delas.”
Desconcertada e assustada, Coleen fugiu da sala.
“Só após voltar para o vestíbulo comecei a ouvir de
novo os ruídos familiares,” disse ela.
“Isso tudo deve ter ocorrido em alguns segundos, pois as
moças que estavam indo para uma sala de aula quando eu chegara
continuavam entrando e alguém ainda estava tocando marimba.”
O caso de Coleen Buterbaugb foi estudado e registrado por
dois respeitados pesquisadores da paranormalidade, Gardner Murphy
e Herbert L. Klemme. Um deles, Murphy, era um psicólogo de
destaque formado em Yale, Harvard e Columbia, tendo sido por
muitos anos presidente do Departamento de Psicologia do City
College of New York,
e depois diretor de pesquisas do Menninger Foundation. Durante
toda a vida ele se interessou pela paranormalidade, e foi
presidente da Sociedade Americana de Pesquisas sobre a
Paranormalidade até morrer, em 1979.
Caso tenha ocorrido tal como foi descrita, a experiência
de Coleen seria classificada pelos estudiosos de suposto
fenômenos paranormais como um deslize temporal
“um deslocamento repentino e de curta duração pra um
momento que não pertence ao presente. A característica mais
notável relatada pelos indivíduos que alegam ter tido este tipo
de experiência é a aparente normalidade do mundo anacronístico
em que entram. As pessoas - ou imagens de pessoas”
que dizem ter encontrado por lá não são percebidas como
espectros insubstanciais, mas parecem, pelos menos
temporariamente, tão sólidas quanto o observador. Com efeito, os
pesquisadores da paranormalidade dizem que é comum essas pessoas
que experimentam um deslize temporal pensarem que entraram por
acaso em uma festa à fantasia ou em uma filmagem.
....Assim que recobrou a compostura, Coleen contou aos
colegas o que havia acontecido. A figura que descreveu pareceu
vagamente familiar alguns dos mais velhos. Décadas antes, aquele
escritório fora ocupado por uma mulher chamada Clarissa Mills,
uma conferencista em teoria musical e piano. A descrição da
aparição misteriosa feita por Coleen lembrava Clarissa Mills, a
quem ela nunca vira. Imediatamente, ela fez uma pesquisa nos
livros antigos da universidade. Disse que, ao deparar com uma foto
da senhorita Mills, ficou impressionada com a semelhança. Embora
a figura no escritório houvesse ficado de costas, a mulher da
foto tinha os cabelos penteados no mesmo estilo bufante. As roupas
da foto também se adequavam no período e estilo das que a
visitante misteriosa estava usando.
E-mail:
marciopontes@psicenter.psc.br
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