
O Tempo
A
relação do tempo sentido
No ano de 1987, precisamente no mês de março, era domingo e eu acabava
de almoçar na minha casa. De sobremesa comecei a descascar uma laranja. Adoro
laranja após o almoço, mas para descascá-la é uma verdadeira luta de foice,
digo de faca. Parece que as facas e os instrumentos foram feitos para pessoas
destras. A minha laranja fica toda furada, cheia de feridas. Enfim levo um tempo
enorme para chegar a chupá-las. Haja paciência. Bem que é um bom exercício
de paciência. Principalmente para mim, que tenho muito de exercitá-la.
No período em que estava descascando as laranjas comecei a pensar no
tempo que levava para descascá-las e no tempo da minha infância. Comecei a
fazer comparações do meu tempo atual com o meu tempo de criança. O tempo que
não tinha hoje e o tempo que sobrava na infância. O meu pensamento foi para
Minas Gerais, na cidade de Nova Era, local onde passei a primeira parte da minha
vida, até aos 10 anos, depois vim morar no Rio de Janeiro (ufa)
Lembro-me perfeitamente que acordava cedo, talvez 08:00 horas da manhã,
tomava café com leite, pão e manteiga e ia
brincar com os irmãos ou com colegas na rua. Brincávamos a manhã toda.
Era muito tempo até a hora do almoço em torno de 11:00 horas. Após almoçar,
dormíamos ou ficávamos ouvindo
no rádio as historinhas para crianças, pois não tínhamos televisão,
aliás, na cidade não havia televisão que era coisa de cidade grande e para
poucos privilegiados. Na parte da tarde era a mesma coisa,
brincávamos, fazíamos lanches, tomávamos banho, passeávamos de tarde, ouvíamos
novamente rádio e em torno das 20 h. , após o jantar era hora de dormir. Que
dia longo. Estava cansado de tantas atividades e dormiria o sono dos justos.
Voltando ao aqui e agora percebo que meu tempo de 24 horas/dia é muito
pequeno, embora que cronologicamente seja o mesmo.
Este sentimento de tempo, digo sentimento, pois ele é sentido, não é
medido. Pensei. Não é medido? Será que poderemos medi-lo? É uma pergunta
meio ingênua, mas era uma pergunta que merecia ser questionada. Podemos ou não
podemos medir um sentimento? Eu acreditava que sim, embora não seja um
matemático, mas sou um pensador, ou um sonhador.
Nos meus pensamentos recorria a minha infância. Imaginei-me com 10 anos
de idade e olhando para o meu passado. Era tempo demais. Coloquei-me nos meus 20
anos de idade e olhei de 10 aos 20. Parecia menor que de 0 a 10. De 20 a 30 bem
menor que 10 a 20 e infinitamente menor que 0 a 10. Dos 30 aos 40 voou. Hoje o
meu dia tem bem menos que 12 horas. É muito pequeno. O meu tempo é menor.
Passa mais rápido. Mas para medi-lo é preciso de contas, equações, números.
Aonde encontrá-los?
Um
conceito
Pitagórico
Quando trabalho com números ou número, visto que tudo parte do número
“1”, procuro fazer o encontro do
Mito e a Ciência. Desde a Antigüidade os povos tentam
entender
o espaço , o tempo e o Universo através da religião. Hoje busco pela ciência,
ciência humana, interligando a ciência da psicologia a ciência exata, a matemática.
Um dos grandes filósofo da humanidade que entendeu o fluir dos números no
comportamento foi Pitágoras, no século VI a.C.. Pitágoras é conhecido pelo
famoso teorema geométrico que afirma que o quadrado da hipotenusa de um triângulo
retângulo é igual a soma dos quadrado dos catetos. Além de matemático, era
um grande místico, um músico que descobriu a física da escala harmônica, e o
primeiro a chamar a si mesmo de filósofo, ou “amante do saber”.
Pitágoras buscou combinar a ciência e a metafísica, que talvez seja
mais bem exemplificada pela palavra Kosmos
, que significava ordem ou beleza, que identificava o
universo. Os pitagóricos, seguidores de Pitágoras diziam que na verdade
o universo era uma harmonia de opostos em equilíbrio, tal como
homem - mulher, par - impar, bem - mal. Os opostos primordiais eram o limite
e o ilimitado - o que tinha forma e o que se imaginava como caos. Eles achavam
que o limite agia sobre o ilimitado para formar o “Um místico”,
reverenciado como fonte de todos os
números. E para eles, os números eram tudo.
Filosofando
na matemática
Comecei a pensar na vida. Perguntei-me se uma pessoa que morresse com 5
anos de idade morreu com 1/5 de sua vida? A resposta mais rápida que tive foi:
Não, morreu com 5 anos de idade, teve cinco anos de vida. Assim perguntei com
10 anos, 20 anos, 30 anos e por ai. A resposta é sempre a mesma. Morreu com
tantos anos de vida e não com parte dela (vida). Notei que a vida, seja que
tempo for era sempre inteira, una. Não tinha frações e conseqüentemente, não
tem múltiplos. É realmente inteira, compacta. Este fato me lembra a unidade, o
número “1”. Parece que tinha encontrado o primeiro número da equação.
Agora teria que montar a primeira parte da equação. Sendo a vida, inteira,
compacta e infinita, pois a vida sempre irá existir (temos que filosofar), dei
o nome do primeiro módulo da equação de KV (Constante de vida), sendo que KV=
1. Bem, agora tinha o princípio da equação do tempo. E por falar em tempo o
outro módulo será o do tempo de vida. Como achá-lo?
Procurei seguir o mesmo raciocínio que tive em relação à vida e nos
mesmos parâmetros. Algo único, indivisível, inteiro. Pensei no Ano. É múltiplo
de meses. Mês, múltiplo de dias. Dia. Um dia vem a ser a resposta, é a
unidade de tempo perfeita e natural. É a rotação completa da terra em torno
de si mesma. Não há frações, nem múltiplos. Ela é por si uma medida única.
Se é única, inteira, é também igual a “1”. Então temos T=1.
A nossa equação começou a ganhar forma: kv/T ou 1/1=1. Ficou 1
novamente. Que nome dar a este resultado?
RTS = Relação de tempo sentido
Procurei
ver a validade desta equação dentro da minha visão filosófica, do meu
pensamento naquela ocasião. Modulei a equação da seguinte forma:
Uma
pessoa que tem 24 hs. de vida tem o seguinte RTS.
KV=1/T=1:
RTS=1
Procurei
correr os dias consecutivos:
KV=1/T=2:
RTS=0,5;
1/3=0,333...
1/4=0,25
e
assim por diante.
Observei
que eram necessários 3 dias para se fazer a RTS do primeiro dia de vida, que
segundo estes cálculos é a
maior RTS de nossa vida, ou melhor é o maior dia sentido de nossa vida.
Após o primeiro dia se faz necessário 3 dias para compor o primeiro dia.
Realmente o nosso tempo sentido sofre uma queda logo no segundo dia de 50%.
Procurei desenvolver um gráfico que mostrasse exatamente este tempo
sentido em relação aos anos de nossa vida. Observe
o resultado. A coluna horizontal é a idade cronológica e a vertical são
as RTS. Quando se chega na faixa de 12 anos de idade começa uma estabilidade.
Temos proporcionalmente mais vida em RTS do nascimento aos 12 anos, do que para
o resto de nossa vida cronológica.
Gráfico
de RTS
Observe
que a área escura compreendida entre o nascimento e os 12 anos é maior que o
restante da área até o final do ciclo. Supõe-se que temos maior tempo sentido
do nascimento aos 12 anos de idade. Coincidentemente os estudos de Freud, o
criador da Psicanálise, se baseiam em que os fundamentos de nossa personalidade
sejam estruturados durante a infância, exatamente na faixa da pré-adolescência
e que compreende a faixa de maior RTS. Concluímos que este gráfico tem também
a audácia de medir um dado psicológico observável, sentido, mas nunca
equacionado. Matematizamos Freud. Os números dizem que sua observação está
correta. Cientificamente provado.
Se um indivíduo consegue sentir maior tempo em menor tempo cronológico,
o seu envelhecimento tende a ser maior e mais rápido. Este fator ocorre também
com o desenvolvimento humano infantil. Podemos fazer a seguinte observação:
|
|
Imagine
você selecionando no ato do nascimento, 5
crianças do mesmo sexo e cor. Procure guardar os nomes da 5 crianças.
Após 30 dias volte ao encontro destas crianças e procure identificá-las. Terás
muitas dificuldades, pois em 30 dias estas crianças envelheceram muito. Não
apresentam mais as fisionomias básicas do nascimento. Identifique-as novamente
e volte daí
a 1 ano e procure reconhecê-las. Novamente quase que impossível, pois em 1 ano
o envelhecimento foi muito acentuado em relação ao primeiro mês de vida.
Identifique-as e volte daí a 10 anos. Realmente nem com a foto na mão do
primeiro ano de vida você conseguirá identificar, pois o envelhecimento foi
brutal. Identifique-as e volte aos 15 anos. Você agora com facilidade conseguirá
identificar, pois o envelhecimento foi menor. E daí para adiante o tempo é
menor e o envelhecimento também, será fácil identificar. Esta observação
você já fez durante a sua vida normal e você sabe que é correta. Mas se
tiver dúvida pratique-a com crianças recém nascidas de uma maternidade e
procure acompanhá-las no primeiro mês.
Um dos fatores importantes desta visão matemática do desenvolvimento é
a noção que passamos a ter do tempo de percepção infantil. Como podemos
observar no gráfico o tempo de percepção, que vai do nascimento aos 12 anos
de idade cronológico é muito grande. Isto demonstra que o tempo que a criança
percebe (tem) é muito maior que o dos adultos. Colocando este estudo da percepção
na educação infantil poderemos viabilizar uma melhor didática no ensino
escolar e na educação doméstica. A criança consegue em menor tempo cronológico
(adulto) absorver mais conhecimentos, pois o seu tempo de percepção é maior.
Trabalhando este lado, o tempo do mestre e do aprendiz, conseguiremos
que a didática educacional seja mais bem direcionada e os resultados
mais positivos. A criança aprende mais em menos tempo real. Comparar o mesmo
tempo adulto para a criança faz com que esta sinta um vazio em si mesmo e não
consiga interligar o aprendizado e se perca no aprendizado não direcionado das
informações doadas pelos meios de comunicação e da própria sociedade.
Este mesmo cálculo permite ter a resposta intrigante que os
espiritualistas
costumam dizer, falando que só morremos quando termina o nosso
“dever” nesta reencarnação.
A incompreensão dos fatos leva pessoas a ficarem revoltadas quando
perdem um filho no primeiro dia de vida ou mesmo na adolescência ou na idade
madura. A nossa equação demonstra que morrendo aos 5 anos de idade, 10 anos,
40 anos ou seja que idade for, o quantum existencial é o mesmo, a equação do
RTS fica igual em qualquer faixa etária. Exemplo:
Para
ficar um exemplo claro vamos supor que:
Uma
criança morra com 1 dia de vida.
KV/T=RTS
: 1/1=1
Uma
pessoa adulta morra com 10.000 dias de vida.
KV/T=RTS:
1/10.000=0,0001
Eu
vos digo que as 2 equações são idênticas pois :
T
. RTS = KV
Na
criança: 1 x 1 = 1
No
adulto: 10.000 x 0,0001 = 1
Esta
é uma igualdade matemática. Na vida também somos assim, quem morre com 40
anos não fez mais do que quem morreu com 5 anos de idade em relação ao tempo
sentido, que para eles foram iguais.
Deduzimos então que não existe morte precoce, morremos no instante
certo, não importando a faixa etária.
Fatores
Psicobiofísicos
No campo da psicologia clínica, podemos usar este conhecimento para
demonstrar para os pacientes como funciona o processo de ansiedade, pois
tem muito haver com
fator tempo, principalmente “tempo futuro”, aquele
tempo que falta para algum tipo de acontecimento. Na verdade não falta
tempo algum. Se 5 anos de idade é equivalente a qualquer idade. Qualquer tempo
é o “aqui e agora”. O amanhã é hoje. Se hoje é passado de amanhã e
futuro de ontem, ontem é hoje. Presente, passado e futuro num mesmo ponto.
Adeus ansiedade. Vamos relaxar, sem pressa, porque temos todo o tempo do
Universo.
Este pensamento Psicofísico nos leva mais longe. Podemos pensar
(filosofar) nos níveis científicos religiosos da reencarnação, do nascer
novamente.
Se passado, presente e futuro coexistem num
mesmo instante, então podemos pensar que nossas vidas passadas ainda estão
vivas, ainda existem de alguma forma fisicamente. Nós somos o futuro de um
passado que ainda existe. Podemos deduzir que agora, no instante que você lê
esta página, sois passado de um futuro que também já existe. Estamos vivos,
mas ao mesmo tempo estamos reencarnados no futuro, ou nos futuros.
Traçando esta linha de pensamento podemos compreender com mais segurança
as leis reencarnatórias.
Nas vivências espíritas de longos anos e nas literaturas, encontramos
casos de manifestações de espíritos que nos relatam que ainda encontram-se
presos e vivendo as mesmas experiências passadas ou do passado. Certa vez
assisti a uma manifestação de efeitos físicos (psicokinese) no qual a
entidade estava ainda presa ao passado (vivendo nele) como escravo num canavial.
Chegamos a ouvir o som das correntes e gritos de dores que emanavam do ambiente
passado. Este fato ocorreu durante uma sessão de TVP (Terapia de Vidas
Passadas).
Conforme relatamos parece que o passado é
tão real como o presente, encontra-se diferenciado em vibrações, num
outro campo vibratório, mas sintonizáveis. Nesta visão poderemos também
alcançar o futuro, também sintonizável. O nosso futuro que já existe. Nós já
desencarnamos e reencarnamos. Tudo é questão de sintonia.
Márcio Pontes (Um estudante da vida. Infelizmente não posso falar que sou psicólogo)