CRÔNICAS     

Nesta página procurarei trazer um pouco da minha vida. Contarei algumas historias que estão marcando a minha  atual passagem  terrena.

                                                Márcio Pontes

 

 

OBEDIÊNCIA

 

         A obediência é  companheira da doçura.  Nunca devemos comparar com a negação da vontade. A obediência é acima de tudo uma autodisciplina, uma forma de  inteligência, uma maneira de análise e sapiência.

         Há quem diga que a obediência é o consentimento da razão. Os orgulhosos e os  egoístas  dificilmente serão obedientes, pois trabalham de si para si, não obedecendo ao chamado interior, a sua consciência, a sua razão.

         Um dos grandes exemplos da disciplina da obediência é o Mestre Jesus, mantendo a lei de Deus acima de tudo e respeitando a lei dos Homens conforme a sua evolução.

         Em nosso instante atual de desenvolvimento, devemos levar em consideração o fator  "obediência".  Os revoltosos, irados de  ódio e de incompreensão desejam impor um  rito social conforme a sua evolução.  A nossa luta contra estes fatores compõem o quadro  da  "doçura".  É uma luta de  silêncio , exemplificando a Verdade  que está no Céu.  Toda resistência  que se faz sobre o orgulho cederá e na calma da paciência todos venceremos....

         Paciência  e obediência....duas ciências do  AMOR.....

 

 

 

Um estudante de química

        

         Quando eu tinha meus 18 anos de idade, morava no Méier, bairro suburbano do Rio de Janeiro. Eu era estudante de química e trabalhava  numa indústria farmacêutica, LBC , como auxiliar técnico de análise do controle de qualidade. Certo dia cheguei cansado em casa. Parei o carro na porta e nem coloquei na garagem. Nesta noite também faltei ao curso. Entrei em casa, meu pai estava na sala vendo o jornal pela televisão. Fui direto para o meu quarto e caí pesadamente na cama. Naquele instante parece que morri. Apaguei completamente. De repente estava numa escada de uma casa estranha e com a mesma roupa que acabara de chegar: jaleco todo sujo e furado de ácidos. Ouvi o mesmo som da televisão que meu pai estava vendo, mas o som vinha da sala anexo ao hall da escada. Não era a minha casa, nela não tinha altos e baixos. Fiquei com muito medo, pois o ambiente era estranho. Na minha frente tinha a porta da cozinha, ao lado a saída para a sala principal. De repente uma menina de aproximadamente 5 anos corre ao hall da escada e pára na porta da sala. Coloca a mão na boca e lentamente se afasta de costa, olhando fixamente para mim. A mãe que estava na sala vem de encontro à filha, talvez não entendendo o seu comportamento e também se espanta comigo no meio da escada. Naquele instante todos nós estávamos assustados. O marido também chega. Um senhor de aparentemente 45 anos de idade, cabelos meio grisalhos e óculos. Ele estava ainda com camisa social e gravata, talvez tenha chegado do emprego e sentado na sala sem o paletó para descansar. Estava eu num enrascada daquelas. Como explicar? Realmente não tinha uma explicação. Eu mesmo precisava de uma. Mas estava ali e muito nervoso, tremia dos pés a cabeça. O senhor compreendeu o meu estado desesperador e percebeu que eu era inofensivo. Gentilmente solicitou que descesse as escadas. Desci. Caminhei lentamente para a sala sob os seus olhares e sentei no sofá. Ele sentou do meu lado e perguntou o que eu queria. Respondi que estava dormindo na minha casa, no Lins, e não sabia como fui parar na casa dele. Ele perguntou: - Você está dormindo na sua casa no Lins?  Respondi: Isto mesmo, eu estou no Lins e estou aqui na sua casa. Ele falou: - Mas aqui não é Lins, aqui é Laranjeiras. Ele não entendeu nada e eu também. Neste  instante ele levantou-se e foi ao telefone. Discou alguns números e começou a falar com uma pessoa. Sem dúvida o assunto era eu, ele me olhava e me descrevia para o outro. Recolocou o fone no gancho e voltou para perto de mim. Falou que ficasse calmo que dentro de alguns instantes ele e um amigo iriam me levar para casa. Pensei rápido. E agora?  Eu já estou lá. Como vai ser. Neste instante comecei a ficar tonto e senti um zumbido forte no ouvido. Parece que eu caía para trás. Percebi que o dono da casa ficou meio assustado me olhando. Acordei num baque profundo na minha cama e levantei correndo para a sala onde estava meu pai. Contei para ele, mas não me deu muito atenção. É, foi mais um sonho, um pesadelo de um dia de cansaço.

         Um dia, tenho certeza alguém vai falar a mesma história, mas de um outro ponto de vista.

 

 

A INTELIGÊNCIA

        

         A  inteligência é uma das conquistas do espírito na sua evolução.

         É a capacidade de resolver situações. Somente o homem possui a inteligência na face da Terra. Os animais têm  o instinto, que não é inteligência, pois a inteligência é o somatório de algo que se chama "instinto + razão", e aos animais falta a razão.

         Qual o motivo do homem possuir a inteligência?

         Será que Deus está dando privilégios a certas espécies?

         Se olharmos o processo de evolução desde o Átomo, veremos que estes valores vão lentamente sendo estabelecidos pelo enriquecimento de nossos laços  energéticos.  Os minerais  possuem certas sensibilidades, que são inferiores aos do ramo vegetal, os animais possuem o instinto que é o somatório da sensibilidade mineral e da  sensibilidade vegetal e o Homem que traz em si a cadeia evoluída, possui todas as anteriores acrescida da razão, isto é, do livre arbítrio ....capacidade de direcionar conforme seus  padrões morais a sua passagem  reencarnatória.

A inteligência quando é bem empregada faz com que possamos participar mais da sinfonia da vida.  Nós passamos a ter a condição Divina do Crer, fazer algo de "Novo", restabelecer condições até então adversas dentro da própria natureza. A inteligência nos faculta possibilidades de uma maior fraternidade universal, ligando os corações distantes pelo uso das tecnologias. Abrandando as dores e multiplicando o aprendizado. Ao mesmo tempo, quando a inteligência não está aliada ao fator Moral, o egoísmo e os entraves à evolução também se fazem sentir. Neste instante em que a inteligência é mal usada, pela falta do fator moral, ainda em desenvolvimento, certos grupos de  reencarnados e reencarnantes sofrem as condições adversas, pois a Terra passa por certos períodos de tristeza e incertezas, as vezes global  ou localizados  por  regiões.         Vamos procurar usar a nossa inteligência alimentando-a com o fluxo do Coração. Vamos evoluir um pouquinho mais e  fazer um novo fator de inteligência

Instinto + razão + sentimento = AMOR

 

O pensamento mágico

 

         Existem pessoas que pensam  que não nasceram para participar dos bens materiais da Terra. Acham que certas pessoas nasceram “de bunda para a Lua”, por isto conseguem tudo. Certa vez um ouvinte de uma rádio do Rio de Janeiro, em que nós estávamos sendo entrevistado telefonou e me perguntou no ar:

         - Dr. Márcio, o Sr. falou que nós podemos direcionar o nosso destino na Terra. Se fosse verdade todas as pessoas seriam ricas e prósperas. Mas vejo que isto não ocorre. Será que as pessoas não desejam a prosperidade e a riqueza?

         Percebi que era uma pergunta de muita profundidade em relação ao nosso tema radiofônico daquela noite e que a resposta iria ajudar a milhares de pessoas em todo o país. Respondi:

         - Companheiro, as pessoas desejam a prosperidade e a riqueza, mas acham que não a merecem. Acreditam no carma, nos pecados que estão pagando e , mesmo desejando a prosperidade ficam resignados com as dificuldades, por crer ser um castigo divino. Mas vos digo: Deus não deseja o nosso sofrimento e nem interfere em nosso livre arbítrio. Todos os bens materiais que são produzidos na Terra são para a nossa evolução, principalmente daqueles que mais precisam de evolução, os que acham que têm pecados a pagar. Tendo a prosperidade  poderemos participar mais da vida terrena, nos evoluindo e evoluindo as pessoas a nossa volta. Temos suficiente produção de roupas para vestir dignamente toda a população da Terra e os eletrodomésticos sobram nas prateleiras das lojas. A nossa prosperidade arrasta com ela a produção agrícola que será abundante e teremos a melhor “mesa”. O que dificulta, continuando a resposta ao nosso ouvinte, a nossa evolução é o Pensamento Negativo. Achamos que não merecemos ou que somos incapazes de conseguir , e com isto vem a palavra que tem um efeito devastador em quem a pronuncia: “Eu não consigo”. Livre-se desta palavra. Transforme-a mentalmente e verbalmente na expressão “Estou conseguindo”. Outra frase que é muito usada pelo pensamento desarmonizado: “Já tentei e não deu certo”. Esta frase fecha as suas possibilidades de êxito, encerrando qualquer tipo de virada de pensamento e atitude. A harmonização do pensamento positivo consiste na visualização e verbalização do desejo, como se ele fosse no estado presente, no aqui e agora. Procure estar perto daquilo que é objeto do seu desejo. Se for um automóvel, pare, olhe. Imagine você dentro dele, passeando com suas pessoas queridas. Se for uma casa, imagine que você já mora nela, confortável e com todos os eletrodomésticos disponíveis. A preocupação de como alcançar o objetivo pertence à sua mente inconsciente. A mente consciente serve apenas para desejar, mentalizar e trabalhar o dia-a-dia. As oportunidades para realização do desejo começa a aparecer. Lembre-se, o inconsciente é um super computador. Processa em velocidade. As oportunidades também chegam em velocidade. Comece a agir na consciência as informações que nos chegam do inconsciente e verás a prosperidade e a riqueza abundantes.

         A pedido da emissora de rádio deixei o nosso telefone para os ouvintes. No dia seguinte a minha secretária eletrônica estava cheio de ligações de pessoas ávidas de orientação. Por diversas semanas seguidas tivemos que aprontar pequenas apostilas de orientação para os amados ouvintes. Tivemos outros programas dentro do mesmo tema que atingiram altos índices de audiência.

 

Almoço e chuva

         Na minha infância, em Minas Gerais, na cidade de Nova Era, onde morei até aos 10 anos de idade, aprendi muitas coisas em relação a nossa vida mental, também não era para menos , em “Nova Era”. Meu pai era funcionário em uma agência bancária e gozava de grande respeito na cidade, pois tinha o hábito de ajudar às pessoas necessitadas. Era maçom e espírita, fatos também que criavam problemas para ele junto à comunidade católica, pois o pároco local queria ter o controle  da fé, como se este atributo humano pertencesse a uma religião em particular. Nova Era fica situada às margens do Rio Piracicaba, um dos afluentes do Rio Doce que banha a região conhecida como Vale do Rio Doce. Esta cidade, naquela época, década de 50, a temperatura, quanto fazia calor, chegava ao máximo 280 centígrados, mas no frio, era bom ter um cobertor ou cobertores. Certo dia, uma de minhas irmãs acordou chorando com dores na perna, não podia andar direito, poderia ser uma câimbra, devido a friagem. Mas não era. A dor não passava e papai foi ao clínico local. Nos exames foi constatado a possibilidade de um câncer no osso da coxa. O tratamento não poderia ser feito naquela cidade, teria que ser encaminhada à capital, Belo Horizonte. Em nossa casa, nas noites de quinta-feira, acontecia um culto espírita do lar, onde as pessoas amigas chegavam para junto de nós para junto colhermos os conhecimentos do Evangelho. Nesta reunião, pedimos a Deus e aos espíritos protetores que olhassem por nossa irmã que estava enferma. No dia seguinte, sexta-feira, foi confirmada a viagem de papai com minha irmã para segunda-feira. O fim de semana foi de muita chuva e frio. No domingo, a nossa família estava já angustiada pela viagem e pelo tratamento que nossa irmã iria  realizar. Ela continuava a chorar muito, pois além da dor física, queria brincar conosco, outros irmãos e correr pela sala e quartos.

         Almoçamos naquela manhã fria. Quando acabamos de almoçar, batem a porta. Uma senhora, coberta com alguns panos, podemos dizer uma mendiga que chega e pede um prato de comida. Naquele dia meu pai estava muito tenso, mas recebeu gentilmente a senhora e pediu que entrasse, pois chovia muito. A senhora entrou e sentou à mesa , na cozinha, enquanto minha mãe preparava o prato para ela almoçar. Num gesto, a senhora olha para o lado e pergunta quem estava chorando. Meu pai responde que era a sua filha, mas era coisa sem motivo. A mulher respondeu: - Criança não chora por coisa sem motivo. Traga ela aqui para vovó olhar. Papai, que estava tenso e talvez indiferente, pegou minha irmã no quarto e a levou à cozinha. A senhora a colocou numa cadeira reclinável e pediu que colhêssemos no quintal umas folhas de bananeira. Pediu uma fralda que foi dobrada. De dentro de seus pertences tirou um fumo de rolo e pediu um pouco de querosene. Misturou fumo de rolo com querosene, colocou as folhas de bananeira, o fumo  com querosene na fralda e amarou na perna doente. Foi almoçar. Despiu-se de nós após o almoço e beijou a nossa irmã. Foi embora agradecida. Mas, para espanto nosso, a nossa irmã também estava na porta se despedindo dela, sem chorar e tirando aquele pano amarrado a perna que agora estava lhe atrapalhando andar. Ficamos surpresos com o fato, uma melhora instantânea. Nossa irmã já estava correndo  por toda a casa. Voltamos à porta para comentar com a senhora. Não mais a vimos. Perdeu-se entre as gotas de chuva da manhã.

         O ensinamento que ficou para todos nós é que devemos acreditar na providência divina, na Inteligência Universal. Bata e a porta lhe abrirá, peça e o Pai lhe oferecerá. Se naquela hora, a nossa razão sob tensão, nega o prato de comida, as dificuldades seriam talvez maiores para todos nós. A ajuda requerida na noite do culto foi deferida na manhã de domingo. Mas temos que estar atentos. A ajuda chega pelo nosso coração, não pela nossa razão.

LEMBRE-SE....

                Toda semana teremos uma crônica nova.

 

Uma história de gatos

 

         Trabalhamos alguns anos com doentes mentais, na Colônia Juliano Moreira, Jacarepaguá, Rio de Janeiro. A doença mental não é equivalente à doença física, embora fortaleça as condições para que elas se manifestem. A doença mental às vezes se apresenta como uma alienação do indivíduo às coisas que estão acontecendo à sua volta, ou a um super interesse. Alguns são tão calmos que chegam ao estado de depressão, ou na outra ponta, tão ativos que agridem, pois contêm uma grande ansiedade e não podem extravasar. Enfim, é uma doença de extremos. É a energia mal canalizada, mal distribuída.

         Começava os meus trabalhos num dos núcleos de tratamento da colônia. No meu primeiro dia, logo ao chegar encontrei uma cena muito curiosa. Três mulheres brigavam com um senhor que fazia o trabalho de carrocinha da prefeitura, apanhando gatos nos núcleos. A  briga era porque  as mulheres queriam que deixassem aqueles gatinhos, pois elas gostavam deles.

         Choravam desesperadamente com a separação. Como eram três gatinhos, interferi. Conversei com o condutor da possibilidade de deixar os três gatos. Ele falou que tinha ordens para levar os gatos, a não ser que eu desse uma contra-ordem por escrito. Ora, gatos.!! Assinei na mesma hora as contra-ordens, afinal três gatos não iriam alterar em nada e fariam as mulheres mais felizes. Até eu achei os gatinhos simpáticos. A carrocinha foi embora e me direcionei a porta do núcleo. Ao abrir a porta, dois outros gatos saíram correndo. Bem, são 5 gatos. Comecei a andar pelo corredor um pouco escuro e fiquei espantado, pois ali havia por baixo alguns 15 gatos, sem contar os últimos 5 falados. Comecei a pensar na besteira que fiz. Chequei ao pátio. Incontáveis gatos (quando falo gatos, generalizo machos e fêmeas) por todos os lados. Havia um total de 2 gatos por internas (pacientes). Telefonei para o núcleo mais próximo e perguntei se lá havia gatos. O supervisor falou que hoje era segunda-feira e a carrocinha tinha apanhados todos, mas que durante o correr da semana com certeza haveria outro tanto. Pensei. Até a semana que vem teremos o dobro de gatos de hoje. Puxa..!

         Telefonei para o psiquiatra chefe da colônia para pedir uma orientação ou explicação para a grande população de gatos. Ele me deu de pronto a explicação mais óbvia: Os gatos gostam da colônia pois encontram alimentação fácil, pois as internas deixam comida por todo lado. Aceitei a explicação mais ou menos. Ficou em mim uma interrogação.

         Voltando para casa, de motocicleta, vim pensando nos gatos. De repente me veio a lembrança de uma senhora, tida como maluca, perto da minha casa, que vivia cercada de gatos. Gato no telhado, na porta, na cozinha, no telhado, enfim , na casa toda. Era uma convivência saudável. Bem, não era apenas as internas da colônia que os gatos gostavam. Gostavam também das externas.

         Chegando em casa, à noitinha, encontro minha filha lendo um livro de histórias infantis: “Alice no país das maravilhas”. A minha mente estava ligada em gatos e vejo na capa do livro exatamente um gato. Como era um livro grande, de figuras grandes, letras grandes, comecei a olhar e ler. Para meu espanto, estava ali parte da explicação da relação gatos x doentes mentais. Logo no início da narrativa, Alice se depara com um acontecimento estranho. Duas senhoras estavam na cozinha jogando uma criança recém-nascida como se fosse uma peteca de mão-em-mão. Coisa maluca. No canto do fogão , um gato piscou o olho para Alice, como se dissesse: Não se preocupe, aqui eu controlo tudo. Saindo dali Alice encontrou novamente o gato, que começou a se materializar em cima de uma árvore e perguntou-lhe: Onde mora o Chapeleiro ou a Lebre?. O gato respondeu-lhe: - Você pode ir para lá ou para cá, não importa com quem encontrar, pois ambos são malucos. E de malucos eu entendo.

         Para quem como eu , ainda há poucos instantes estava na pergunta dos porquês dos gatos, encontrei num livro infantil motivos suficiente para continuar nas minhas buscas e não me satisfazer com a resposta do meu superior.

         Meus pensamentos iam longe em relação aos gatos. Busquei na história da humanidade a ligação dos gatos com os seres humanos. No antigo Egito, era sagrado. Na idade média acompanhavam os bruxos, que nada  mais eram que os médiuns de hoje ou os esquizofrênicos doentes mentais. Mas todo bruxo que se prezava tinha um gato como companheiro. Por que?

         Passaram-se alguns dias e me defronto com um ato de maldade de alguns moleques perto de um supermercado do bairro. Um filhote de gato, meio assustado, foi pego pelo rabo e lançado a grande altura. O coitado caiu no meio do asfalto. Pensei que tivesse morrido, mas saiu meio tonto. Nisto um caminhão de entrega passa na rua e o gatinho fica entre as rodas traseiras, debaixo do eixo. Pela minha posição de olhar pensei que tivesse passado por cima. Mas para nova surpresa o gato saiu mais tonto ainda. Alguém falou: gato não morre fácil não. Tem 7 vidas. Quando ouvi a palavra 7 vidas, algo mexeu no meu inconsciente e coloquei este dado na pesquisa dos gatos. Pareceu-me  muito importante, afinal o 7 esconde algo de místico. Olha os bruxos aí

         Mas quando estamos ligados às coisas chegam até nós. Domingo cedo fui comprar pão. Olhando os jornais pendurados na bancas, li: O gatuno foi preso. Novamente o gato na minha vida, só que na forma de gatuno. Lembro-me agora que as pessoas que roubam são chamadas de gatunos. Em outras palavras, quem rouba é gato. Por que? Coitado do gato. Mas em certas casas, seus moradores costumam fazer “gatos”, para roubar energia elétrica. Fiz a associação do gatuno que rouba coisas dos outros com as pessoas que roubam energia elétrica. Fica a palavra “roubar”. Certo dia fui visitar uma senhora idosa. Ao entrar em sua casa fui recepcionado logo a porta, pelo seu gato. Ele fez o que todo gato faz. Passou o pêlo nas minhas pernas, arrepiando-se e levantando o rabo. Coisa que todo gato faz, e nós não damos a devida importância. Mas, como estava atento ao assunto gato, fiquei a observar. Logo após, o bichano foi ao colo de sua dona, e deitou-se carinhosamente. Porque ele fez isto?  É , todo gato faz.

         Voltando à colônia de doentes mentais, trabalhando com os internos, percebi que eles andavam muito e falavam muito o tempo todo. Tinha no meu modo de ver muita energia. Como, na época estava estudando a máquina Kirlian, fotografando o campo energético das pessoas, também fotografava o campo energético dos internos. Para minha “surpresa” eles apresentavam um campo energético parecido com as crianças. Muita energia. Neste instante, a palavra energia teve para mim um outro significado. Afinal, o gato é o modo que as pessoas roubam energia das concessionárias. Poderia cachorro, rato, boi, mas é gato. As internas apresentam muita energia, que as tornam agitadas. Os gatos se aproximam, num processo  natural de retirar o excesso energético, em outras palavras “roubar”, pois não pedem permissão para tal. Estava fechado o meu pensamento de pesquisa. O nosso inconsciente coletivo associa a palavra gato ao roubo exatamente por este fato. O gato tem 7 vidas devido ao fato de ter acumulado em si maior quantidade de energia vital, haurida das pessoas, então tem mais vitalidade. Os bruxos, da idade média, que trabalham com energia vital tinham os gatos por perto exatamente por serem depósitos energéticos. A senhora idosa, deficiente em energia tinha o gato próximo , pois ele retirava das pessoas os excessos energéticos e traziam para ela. Quando passou nas minhas pernas, ele fez exatamente isto.

         Com o tempo fui observando que os gatos se aproximam naturalmente das pessoas ricas energeticamente, sugando-lhe os excessos e transferindo para os necessitados. Desde então tenho informado às pessoas agitadas e hiperativos para que não afastem os gatos. Eles são úteis para o nosso equilíbrio energético e mesmo para aqueles debilitados , pois transferem para eles o que sobra nos outros.

 

O que somos realmente?

 

         A comprovação do poder mental encontra-se em cada esquina de nossa vida, as vezes não o percebemos pela sua simplicidade. O nosso diálogo com a mente, com a inteligência universal é constante. Ela vive a nos assoprar, gritar, colocar cartazes, faixas na nossa frente mas não percebemos.         

         Certo dia, num sábado a tarde, primavera, estava passeando de motocicleta, sandálias nos pés, bermuda, óculos escuros. Enfim numa curtição. O sinal de trânsito fecha. Parei. Olho para o lado e vejo a fachada de uma igreja. Era a Igreja Universal do Reino de Deus. A frase colocada sobre o portal da igreja me chamou muito a atenção. Embora eu já a tenha lido em outras oportunidades, mas naquela hora, para mim tinha um outro significado. O sinal abriu, os automóveis na retaguarda buzinam. Estou atrapalhando o trânsito, pois estava absorvido pela frase. Coloco a moto sobre a calçada da igreja e continuo a absorve a frase, como se meio perdido ou confuso. Chega até mim um dos componentes da igreja e gentilmente pergunta se eu estava com algum problema. Respondi que sim. Não estava entendendo o significado daquela frase, que fica ostentada em todo templo da Universal, inclusive no altar. Ele me deu uns papéis com versículos bíblicos e um jornal da igreja e falou:

         -O significado da frase “Jesus Cristo é o Senhor”, é que o mestre Jesus é o nosso Senhor, Senhor de todos nós e do Universo. Nosso guia. Ouvi, mas não aceitei a explicação. Achei que ele estivesse certo, dentro do seu conhecimento, mas tinha certeza que algo a mais existia naquela frase tão importante. Tão importante que todas as igrejas daquela egregora a ostentam na fachada e no altar.

         Voltei para casa com a frase pulsando em meu cérebro, pois não era o que eu tinha entendido quando a li. Fiquei pensando em voltar à igreja, mas não poderia ser com as minhas vestimentas de motocar. Fiz uma programação e voltei em outro dia, em outra igreja da mesma ordem: Universal. Agora vestido adequadamente, entrei no templo e me juntei com os adeptos. Eram centenas de pessoas, independentes de raça e posição social. Mas todos aparentemente com muita confiança; Fé. Acompanhei o sermão do pastor que falava:

         -Jesus não deseja o sofrimento. Vinde a mim que vos consolarei. Ele fala que nos consolará, o seu fardo é leve, o seu jugo é leve.

         Vamos todos agora falar de nossos problemas com Jesus. Vamos colocar nas mão de Jesus os nossos problemas. Neste instante os fiéis começam a falar em voz alta os seus problemas, todos de uma vez. Parecia uma Babel, não de línguas diferentes, mas de problemas diferentes. Após esta catarse coletiva, a igreja colheu os seus frutos em doações espontâneas. Também fiz a minha doação. Novamente volto para casa, agora com mais bagagem para estudar e buscar compreender  a enigmática frase. Perguntei para mim mesmo:

         -Se não fosse válido o processo da igreja, esta já teria fechado, mas o que vejo é o seu crescimento. Se não funcionasse, os adeptos não voltariam. Mas estão voltando e trazendo outros. Então funciona. Mas como, será que Jesus estava presente e resolvendo? Certamente não era bem assim, mas como?

         Esta pergunta me fez entrar no complexo mental do consciente, subconsciente e inconsciente  de Freud & Cia.

         O nosso inconsciente é o depósito de todo conhecimento adquirido em nossa  vida: escola, livros, filmes, palestras, conversas, etc..., e mais ainda, encontram-se também guardados os conhecimentos de outras vidas, conhecimentos seculares. E ainda mais, pois Jung nos fala do inconsciente coletivo. A comunicação dos inconscientes, uns com os outros. Dos sábios, dos poetas aos mais simples em conhecimento. Este inconsciente está ligado diretamente ao subconsciente e este ao consciente. Sendo que o consciente não se liga ao inconsciente, razão pela qual o consciente (aqui e agora), não tem lembranças instantâneas de fatos passados a alguns anos ou outras vidas. Na verdade o nosso subconsciente busca resolver os problemas de nosso consciente (aqui e agora), buscando a solução no depósito de conhecimentos que é o inconsciente. Quando falamos que durante o relaxamento nós podemos desejar a solução de um problema e ele será resolvido, é porque colocamos o problema na ordem subconsciente, e este se comunica com o inconsciente e arma a busca em todo um universo de valores para solucioná-lo e como um milagre, soluciona. Voltamos agora a Igreja, vamos fazer uma comparação. No instante em que colocamos os nossos problemas na mão de Jesus, estamos na verdade transferindo a solução para o nosso subconsciente, que é Jesus (vinde a mim que eu vos consolarei).          Na verdade Jesus está dentro de nós como relata grande parte das religiões e o esoterismo. Na verdade Jesus sou eu. O mestre Jesus nos ensina que tudo o que Ele pode fazer nós também podemos e, certa vez falou: - Eu e o Pai somos um só. Eu estou Nele e Ele em Mim. Existem até seitas ou religiões que adotam o refrão “Eu sou”, que vem a ser Deus em si mesmo .

         Naquela tarde quando parei de moto em frente a igreja e li a frase: Jesus Cristo é o Senhor, eu entendi que Jesus Cristo era Eu. O meu subconsciente leu exatamente a mensagem que a igreja condiciona seus adeptos, sem que os próprios saibam disto e digo mais, nem os pastores sabem.

Será que o bispo sabe? O importante é que o objetivo social está sendo alcançado...     e viva Jesus.

 

A  Felicidade

 

         Por todos os lados onde andamos, sempre ouvimos falar que temos momentos  felizes, que a verdadeira e plena felicidade não existe.

         Jesus nos relata que  a  "Felicidade não é deste mundo", ou o que é melhor....  "ainda não é deste mundo".

         O estado de Felicidade ou Infelicidade que existe encontra-se dentro de nós, como  percebemos o mundo. Ele será  feliz ou infeliz conforme o nosso estado psíquico e emocional.  A compreensão das formas de comportamento terrena nos fará compreender as razões pelas quais as pessoas sofrem no seu dia-a-dia e com isso tornam-se infelizes.

         Levante a cabeça neste instante, se você faz parte do grupo de pessoas infelizes sobre a Terra....isto mesmo, estou falando com você que faz parte deste mundo infeliz. Levante a cabeça e respire forte, absorva o ar da renovação interior de sua vida e diga verbalmente:  Tenho que lutar, a infelicidade não me leva a nada de positivo.

         Meus amigos, Deus nos dá  sempre mais 1 hora para que possamos nos renovar. Se precisarmos de mais tempo, teremos mais 1 dia que será amanhã, se não der, a semana que vem , virá ou o ano que vem, com certeza. E não se iluda, precisando de mais tempo, teremos até mesmo uma nova oportunidade numa próxima vida. Por isso, digo, não fique sem esperança.

         Renove neste instante suas energias, buscando agora a respiração, pois o ar é o hálito de Deus que nos alimenta de vitalidade e de Amor.

     Nesta renovação positiva, nesta troca de energia as nossas correntes mentais se harmonizam com o nosso coração e as vibrações emitidas por nós faz ressonância no planeta e uma faixa de luz percorre o horizonte, elevando a Terra alguns graus a mais na sua evolução para um  "Mundo de Felicidade"  onde teremos o Pão e o Mel.

 

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